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Advocacia 5.0: tecnologias na gestão jurídica

Advocacia 5.0: tecnologias na gestão jurídica

Publicado em 30 . março . 2023 . Insights
Autores . Gabriela Ferreira

Os últimos anos foram caracterizados pelo uso abundante da tecnologia, visando atender a falta de um dos bens mais preciosos dos profissionais do Direito, o tempo. Isso não poderia ser diferente nos escritórios de advocacia.

Na última década, com o avanço da tecnologia, houve diversas inovações no cenário jurídico, como o surgimento do processo eletrônico, softwares jurídicos de gestão, assinaturas digitais, sessões de julgamentos e audiências telepresenciais, entre outras. Nesse contexto, uma das inovações tecnológicas mais recentes e que promete uma revolução é a inteligência artificial, capaz de detectar e reproduzir padrões subjacentes a textos, imagens e produções humanas.

Em razão disso, há quem acredite que, profissões consideradas “intelectuais”, como a advocacia e a medicina, por exemplo, correm o risco de serem substituídas, pelo menos em parte. No entanto, a utilização das tecnologias avançadas no ambiente profissional não deve representar o fim completo e absoluto do trabalho humano, mas sua efetiva transformação.

A partir desse entendimento surgiu o conceito de “Advocacia 5.0”, caracterizado pela inclusão de meios digitais, robôs e inteligência artificial no cotidiano de escritórios e departamentos jurídicos, não somente na área de gestão jurídica, mas na financeira, marketing e até mesmo na prospecção de clientes.

O mercado de trabalho, cada vez mais, tende a buscar profissionais multidisciplinares, especializados e que saibam utilizar as ferramentas tecnológicas. Além disso, ainda que na “Advocacia 5.0” haja cada vez mais utilização da inteligência artificial, o trabalho humano seria substituível apenas nas atividades consideradas repetitivas e padronizadas, como por exemplo, a advocacia de massa, vez que essa inovação não soluciona problemas por conta própria, somente fornece respostas para casos previsíveis, através de um levantamento realizado a partir de um conjunto amostral.

Um bom software jurídico, juntamente com a inteligência artificial, pode auxiliar na gestão informacional, pois além de registrar como foram conduzidas as negociações e quais documentos foram produzidos pelo escritório, é capaz de emitir relatórios automatizados com os novos andamentos de um processo, capturar publicações nos diários oficiais e, ainda, fornecer dados e cruzar informações para avaliar se existe conflito de interesses entre clientes e potenciais novos clientes.

Nesse sentido, de acordo com Felipe Braz, sócio nominal da BCVL – Braz, Coelho, Veras, Lessa e Bueno Advogados, em palestra promovida pela Thomson Reuters, “a informação como um dado é um ativo de suma importância para um escritório, mas corre o risco de perecer caso não seja armazenada corretamente”1. Ou seja, em que pese a tecnologia esteja à disposição dos profissionais, um software de gestão somente será útil na medida em que for alimentado.

Nos escritórios de advocacia, a inteligência artificial tem como objetivo primordial gerar eficiência, precisão e otimização do tempo, tanto na tomada de decisões como na execução das atividades do cotidiano, disponibilizando, armazenando e cruzando informações, sendo, dessa forma, uma importante aquisição para os escritórios que desejam crescer estrategicamente no mercado e se enquadrar nos moldes da Advocacia 5.0.


1 BRAZ, Felipe. Como um software jurídico contribui para o crescimento do seu escritório?. Thomson Reuters LATAM. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SRA4U9Tu7jQ.

 

Gabriela Ferreira
Trainee da Controladoria da BCVL – Braz, Coelho, Campos, Véras, Lessa e Bueno Advogados.
Graduanda em Direito na UFPR – Universidade Federal do Estado do Paraná.